Porteiro representado no Congresso não é detalhe. É questão de dignidade no posto.

Porteiro representado no Congresso não é detalhe. É questão de dignidade no posto.

Porteiro representado no Congresso não é detalhe. É questão de dignidade no posto.

Quem nunca encarou o meio-dia numa guarita de concreto ou de fibra, no Recife em fevereiro, não sabe o que é o ofício do porteiro. O cubículo vira forno. O vidro embaça. A farda cola no corpo. E o banheiro, quando existe, fica do outro lado do prédio. Para ir até ele, o trabalhador abandona o portão. Para não abandonar o portão, segura a necessidade até doer. Isso não é rigor de serviço. É falta de humanidade no lugar em que a cidade dorme.

No Recife, essa realidade começou a mudar porque a categoria teve vereador que veio da portaria e do sindicato. Rinaldo Junior, presidente licenciado do SIEEC, fez a Câmara votar o que o condomínio tratava como luxo: portaria climatizada e sanitário próprio, ao lado do posto. A lei municipal passou a exigir, nas novas edificações, guarita com climatização, instalações sanitárias e proteção — inclusive vidro blindado. Não é enfeite de prédio. É o mínimo para o trabalhador não adoecer no calor e não ter de escolher entre a bexiga e a segurança do condomínio.

Enquanto a lei não existia, o porteiro pagava com o corpo. Calor excessivo, ar parado, cubículo sem higiene e a humilhação de pedir licença ao morador para ir ao banheiro. Quem fica doze horas no controle de acesso não pode ser tratado como mobília da entrada. O posto é local de trabalho. Tem de ter ar respirável, assento sanitário e condição de permanecer no lugar sem se anular como ser humano.

Por isso a categoria precisa de representante na Câmara dos Deputados. Lei de Recife vale no Recife. O mesmo cubículo existe em Olinda, no interior, em Brasília e em qualquer cidade que constrói prédio e esquece quem fica na porta. Deputado federal é quem pode transformar essa conquista local em regra nacional: condição mínima de salubridade na portaria, banheiro no posto, climatização onde o clima exige, e fiscalização que não dependa da boa vontade do síndico.

Rinaldo Junior já mostrou o método. Criou o Dia Municipal do Porteiro. Negocia convenção. Fiscaliza condomínio. Levou para a lei o que a categoria pedia no sindicato. Eleito deputado federal, o porteiro deixa de ser assunto de bairro e passa a ter voz onde se escreve a lei do país. Quem abre o portão todo dia merece chegar em casa inteiro — e merecia, há muito tempo, ir ao banheiro sem pedir desculpa.