Eles só veem o que querem ver: por que o bolsonarismo em Pernambuco engole a ideia de competência na gestão de Raquel Lyra?

Eles só veem o que querem ver: por que o bolsonarismo em Pernambuco engole a ideia de competência na gestão de Raquel Lyra?

Eles só veem o que querem ver: por que o bolsonarismo em Pernambuco engole a ideia de competência na gestão de Raquel Lyra?

Tem gente que tem dificuldade de conversar e mudar de ideia não porque falta inteligência ou argumento bom. Muitas vezes, a pessoa só consegue enxergar o mundo do jeito que já aprendeu a ver. Cada um carrega suas experiências, suas crenças e tudo o que viveu. Quando duas pessoas têm visões muito diferentes, elas não discordam apenas do resultado final. Discordam desde o começo, das bases do próprio pensamento. Por isso, mostrar um fato novo nem sempre muda a cabeça de ninguém. A pessoa aceita facilmente o que confirma o que já acredita e rejeita ou distorce aquilo que contraria sua visão.

Isso ajuda a entender parte do debate político em Pernambuco. Há setores da direita ligados ao bolsonarismo que enxergam a gestão Raquel Lyra principalmente pela narrativa que recebem de seus próprios grupos políticos e veículos de comunicação. Falam dos investimentos do governo na saúde e na educação como se eles, por si só, significassem que os problemas já foram resolvidos. Mas a realidade vivida por muita gente é outra.

Na saúde, problemas estruturais continuam aparecendo. Hospitais e unidades de atendimento enfrentam situações de superlotação, problemas de manutenção e condições que merecem atenção. E há fatos que vão além da percepção da população. Uma auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) apontou R$ 905 mil em pagamentos considerados indevidos em um hospital de Garanhuns pertencente a Jorge Branco, marido da vice-governadora Priscila Krause. Segundo o relatório, procedimentos como cirurgias oncológicas e hemodiálises não estavam devidamente comprovados nos registros analisados. A auditoria recomendou a devolução dos valores, enquanto a Secretaria Estadual de Saúde informou que contestará o resultado e pedirá sua revisão.

Isso não significa afirmar que houve crime ou que alguém tenha deliberadamente fraudado o sistema. Significa registrar uma questão que precisa ser explicada: como foram autorizados pagamentos de centenas de milhares de reais por procedimentos que uma auditoria do próprio SUS considerou não devidamente comprovados?

Na educação, o contraste entre promessa e entrega também é evidente. A promessa anunciada por Raquel Lyra foi entregar 250 creches em Pernambuco. Até 28 de junho de 2026, haviam sido inauguradas 10. Em 2 de julho, o número chegou a 11. Onze entregues diante de uma promessa de 250. É uma diferença que dispensa adjetivos.

Enquanto isso, escolas estaduais continuam enfrentando problemas de infraestrutura. Em julho de 2026, parte do forro da biblioteca da ETEPAM caiu a poucos metros de estudantes que estavam no local. Ninguém ficou ferido. No dia anterior, parte da cobertura da Escola Estadual Presidente Arthur da Costa e Silva, na Mustardinha, cedeu e deixou seis estudantes e um professor feridos, segundo o Diario de Pernambuco.

O problema não é negar que o governo faça obras ou investimentos. O problema é perguntar se esses investimentos estão chegando na velocidade e na qualidade necessárias para quem depende diariamente dos serviços públicos.

O começo do governo Raquel Lyra também foi marcado por forte desorganização administrativa. Em janeiro de 2023, o Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano chegou a ficar sem condições normais de funcionamento depois que um decreto determinou o retorno de servidores cedidos e atingiu justamente a estrutura de pessoal do órgão. Naquele momento, o Arquivo tinha 18 funcionários, sendo 16 cedidos da Secretaria de Educação, e havia risco concreto de paralisação.

O Espaço Ciência é outro exemplo. O equipamento está fechado desde setembro de 2025 para obras de requalificação. A reabertura, inicialmente prevista para maio de 2026, foi adiada e, em julho, a previsão já havia passado para outubro.

Na cultura, a relação do governo com o Festival de Inverno de Garanhuns também foi marcada por conflito. Em 2024, o Governo de Pernambuco deixou de organizar diretamente o FIG, enquanto a Prefeitura de Garanhuns assumiu a realização da edição. O Conselho Estadual de Política Cultural criticou publicamente a condução do processo e registrou sua preocupação com o impasse entre as duas gestões. O então secretário de Cultura, Silvério Pessoa, desassociou-se das novas diretrizes e deixou o cargo.

Ao mesmo tempo, o governo estadual criou o Festival Pernambuco Meu País e passou a construir uma nova marca para sua política cultural, em paralelo a manifestações e políticas públicas que já possuem tradição e identidade consolidadas em Pernambuco. A mudança provocou críticas de parte do público e de setores da cultura, especialmente nas redes sociais, que lamentaram a redução do espaço destinado a mestres, grupos e manifestações que fazem parte da memória, da identidade e do patrimônio cultural pernambucano.

Outro ponto que precisa ser discutido é o uso das aeronaves do Estado. O governo comprou, por R$ 64,3 milhões, um avião King Air 260 apresentado também como reforço para o atendimento aeromédico. Reportagens mostraram que a aeronave foi utilizada em viagens da governadora para agendas oficiais e políticas e que, em determinadas ocasiões, o kit médico foi temporariamente retirado. O governo afirma que não houve irregularidade e que os deslocamentos ocorreram em agendas institucionais de interesse do Estado.

O episódio, porém, gerou uma pergunta legítima: se uma aeronave foi apresentada à população como equipamento para ampliar o atendimento aeromédico, é razoável retirar temporariamente sua estrutura médica para transportar a governadora enquanto o Estado precisa recorrer a aeronave privada para determinadas missões de saúde? Reportagens também informaram que, em uma dessas situações, o Estado contratou táxi aéreo por aproximadamente R$ 100 mil para uma operação envolvendo atendimento médico e captação de órgãos. O governo nega que tenha havido desvio de finalidade. Será que não houve?

É justamente por isso que a questão precisa ser fiscalizada e esclarecida. Não é necessário chamar isso de crime para reconhecer que existe uma questão legítima de prioridade, finalidade e uso do dinheiro público. É, na melhor das hipóteses, má gestão. E um mau gestor é tudo o que Pernambuco não precisa.

Esses fatos não entram na narrativa de quem só quer enxergar aquilo que confirma a própria opinião.

Enquanto isso, a gestão municipal do Recife, com o PSB, apresenta outra realidade em diversas áreas: entrega creches, reforma escolas, investe em saúde, executa obras de mobilidade, urbaniza áreas de risco e atua diretamente nos bairros diante de situações de emergência. São ações que a população consegue enxergar e sentir no dia a dia.

Rinaldo Junior conhece essa diferença porque vive a realidade do trabalhador. Não se guia por bolha de rede social ou de televisão. Seu trabalho parte das necessidades de quem está na base. Na Câmara do Recife, sua atuação tem priorizado a defesa dos trabalhadores, da saúde pública, da educação e da fiscalização dos serviços que chegam à população.

Em 2026, a escolha é clara: continuar olhando apenas para a versão conveniente dos fatos ou enxergar a realidade de frente e trabalhar por você, trabalhador.

Rinaldo Junior 4013