DISCURSO NA ÍNTEGRA – PLO: Paulo Freire como Patrono da Educação do Recife

DISCURSO NA ÍNTEGRA – PLO: Paulo Freire como Patrono da Educação do Recife

DISCURSO NA ÍNTEGRA – PLO: Paulo Freire como Patrono da Educação do Recife

Foto: Anderson Barros/CMR

“Subo à tribuna na tarde de hoje primeiramente para saudar todos os professores e professoras, nessa data tão especial. Aproveitamos este dia tão importante para anunciar nosso Projeto de Lei Ordinária, que entra em votação hoje nesta casa, ao qual peço apoio de todos os meus pares, Projeto esse que declara o recifense Paulo Freire Patrono da Educação do Recife.

Professor, educador, pedagogo, escritor, filósofo, o recifense Paulo Freire foi o brasileiro que mais recebeu títulos honoris causa pelo mundo. Ao todo, foi homenageado em pelo menos 35 universidades brasileiras e estrangeiras. Além disso, mais de 350 escolas ao redor do mundo levam seu nome.  Uma referência da educação em todo o planeta,  por isso o nome deste ilustre recifense merece ser exaltado e seu legado reconhecido.

E por isso, o nosso projeto declara o Educador Recifense Paulo Freire Patrono da Educação do Recife em razão da dedicação de grande parte de sua vida à alfabetização e à educação da população pobre e dos relevantes serviços prestados à educação no Brasil.

 Por isso, peço aos vereadores desta casa apoio para aprovarmos este projeto. Esse teórico era assumidamente defensor de que a educação deveria ser prática de liberdade, sendo inclusive esse o título de um de seus livros mais importantes, “Educação como Prática da Liberdade”, que foi escrito enquanto ele estava exilado.

Paulo Freire nasceu em Recife, no ano de 1921, e faleceu na cidade de São Paulo, em 1997. Seu nome tornou-se notório tanto no âmbito nacional e internacional por suas pesquisas no campo da alfabetização.  Com a aplicação do seu método pela primeira vez na região de Angicos (RN), em 1963, Paulo Freire buscou, através do seu conhecimento e sensibilidade, alfabetizar e politizar os povos daquele lugar. O contexto histórico daquela região era marcado por trabalhadores rurais, domésticas, pedreiros, entre outros trabalhadores que acreditavam na importância de aprender a ler para “mudar de vida”, como foi documentado no livro de Carlos Lyra “As quarentas horas de Angico”. Segundo registros, cerca de 300 (trezentas) pessoas foram alfabetizadas em 40 (quarenta) horas.

 Tal façanha é o feito mais marcante de Paulo Freire no campo da Pedagogia, tendo por metodologia a escolha de “palavras geradoras”, comuns no vocabulário local como, por exemplo, cimento, tijolo, vassoura, enxada, terra, colheita, entre outras. O método usava essas palavras e, a partir da sua decodificação fonética, iam se construindo e associando novas palavras, aumentando assim o repertório dos alunos.

Paulo Freire defendia que as desigualdades entre as classes sociais acarretavam a opressão das classes mais abastadas sobre as classes populares. Nascido em uma das regiões mais pobres do país, ele experimentara essa realidade. Em sua trajetória, defendeu o ensino como forma de despertar a criticidade do aluno, fazendo com que esse buscasse a ampliação de sua consciência social e conseguisse atingir a autonomia. Seus pensamentos fizeram com que Paulo Freire fosse visto como subversivo durante a Ditadura Militar e, como consequência, foi exilado e só pôde voltar ao país após 16 (dezesseis) anos. Esse teórico era assumidamente defensor de que a educação deveria ser prática de liberdade, sendo inclusive esse o título de um de seus livros mais importantes, “Educação como Prática da Liberdade”, que foi escrito enquanto ele estava exilado.

Paulo Freire escreveu diversas obras que são amplamente utilizadas e citadas em trabalhos acadêmicos e em estudos pedagógicos em todo o mundo. Entre elas, a mais conhecida é “Pedagogia do Oprimido”, que destaca o fato de a educação ser o caminho para o despertar da visão crítica e a formação de sujeitos que busquem mudar sua realidade.

A necessidade de visibilidade e de valorização da pesquisa em educação nacional foi muito destacada na produção intelectual de Paulo Freire. Por suas pesquisas, recebeu nada menos que 41 (quarenta e um) títulos de Doutor Honorário em diversas universidades do mundo, inclusive Harvard e Oxford. Além disso, recebeu uma variedade de prêmios, de diferentes países e organizações, dentre eles o Prêmio Andres Bello, da OEA (Organização dos Estados Americanos), como Educador dos Continentes.

 Ainda hoje, Paulo Freire é um ícone da educação brasileira, sendo um dos nomes mais respeitáveis para o embasamento teórico de pesquisas relacionadas à alfabetização. Seja ele amado, incompreendido ou rejeitado, isso não muda o fato de que as obras de Freire falam por si e se tornaram um legado importante para o desenvolvimento da visão educacional moderna. Assim, solicito o imensurável apoio dos nobres Pares Vereadores do Recife para a APROVAÇÃO DESTE PROJETO DE LEI ORDINÁRIA.

Obrigado”