A partir de Projeto de Lei proposto por Rinaldo Junior, Paulo Freire é declarado “Patrono da Educação do Recife”.

A partir de Projeto de Lei proposto por Rinaldo Junior, Paulo Freire é declarado “Patrono da Educação do Recife”.

A partir de Projeto de Lei proposto por Rinaldo Junior, Paulo Freire é declarado “Patrono da Educação do Recife”.

A Lei sancionada pelo prefeito Geraldo Julio e publicada no Diário Oficial do último dia 9 reconhece a importância do pedagogo para o desenvolvimento da educação em uma sociedade ainda marcada por desigualdades.


Conheça um pouco mais sobre Paulo Freire e o seu valioso trabalho na íntegra do Projeto de Lei Ordinária elaborado e proposto pelo Vereador Rinaldo Junior, aprovado por unanimidade na Câmara do Recife e sancionado pelo Executivo:

“Paulo Freire nasceu em Recife, no ano de 1921, e faleceu na cidade de São Paulo, em 1997. Seu nome tornou-se notório tanto no âmbito nacional quanto no internacional por suas pesquisas no campo da alfabetização.

Com a aplicação do seu método pela primeira vez na região de Angicos (RN), em 1963, Paulo Freire buscou, através do seu conhecimento e sensibilidade, alfabetizar e politizar os povos daquele lugar. O contexto histórico daquela região era marcado por trabalhadores rurais, domésticas, pedreiros, entre outros trabalhadores que acreditavam na importância de aprender a ler para “mudar de vida”, como foi documentado no livro de Carlos Lyra “As quarentas horas de Angico”. Segundo registros, cerca de 300 (trezentas) pessoas foram alfabetizadas em 40 (quarenta) horas.

Tal façanha é o feito mais marcante de Paulo Freire no campo da Pedagogia, tendo por metodologia a escolha de “palavras geradoras”, comuns no vocabulário local como, por exemplo, cimento, tijolo, vassoura, enxada, terra, colheita, entre outras. O método usava essas palavras e, a partir da sua decodificação fonética, iam se construindo e associando novas palavras, aumentando assim o repertório dos alunos.

Paulo Freire defendia que as desigualdades entre as classes sociais acarretavam a opressão das classes mais abastadas sobre as classes populares. Nascido em uma das regiões mais pobres do país, ele experimentara essa realidade. Em sua trajetória, defendeu o ensino como forma de despertar a criticidade do aluno, fazendo com que esse buscasse a ampliação de sua consciência social e conseguisse atingir a autonomia.

Seus pensamentos fizeram com que Paulo Freire fosse visto como subversivo durante a Ditadura Militar. Como consequência, foi exilado e só pôde voltar ao país após 16 (dezesseis) anos. Esse teórico era assumidamente defensor de que a educação deveria ser prática de liberdade, sendo inclusive esse o título de um de seus livros mais importantes, “Educação como Prática da Liberdade”, que foi escrito enquanto ele estava exilado.

Paulo Freire escreveu diversas obras que são amplamente utilizadas e citadas em trabalhos acadêmicos e em estudos pedagógicos em todo o mundo. Entre elas, a mais conhecida é “Pedagogia do Oprimido”, que destaca o fato de a educação ser o caminho para o despertar da visão crítica e a formação de sujeitos que busquem mudar sua realidade.

A necessidade de visibilidade e de valorização da pesquisa em educação nacional foi muito destacada na produção intelectual de Paulo Freire. Por suas pesquisas, recebeu nada menos que 41 (quarenta e um) títulos de Doutor Honorário em diversas universidades do mundo, inclusive Harvard e Oxford. Além disso, recebeu uma variedade de prêmios, de diferentes países e organizações, dentre eles o Prêmio Andres Bello, da OEA (Organização dos Estados Americanos), como Educador dos Continentes.

Ainda hoje, Paulo Freire é um ícone da educação brasileira, sendo um dos nomes mais respeitáveis para o embasamento teórico de pesquisas relacionadas à alfabetização. Seja ele amado, incompreendido ou rejeitado, isso não muda o fato de que as obras de Freire falam por si e se tornaram um legado importante para o desenvolvimento da visão educacional moderna.”

RINALDO JÚNIOR

Vereador da Cidade do Recife