Jamildo/JC: Dia do Porteiro evidencia importância da categoria e ressalta peso do sindicato

Conteúdo publicado através do JC360 em 09/06/2020 às 9h35
O sentimento por exercer a profissão de porteiro, para Marcos Antônio Agostinho, 55 anos, é de gratidão. Atuando como trabalhador de condomínio há mais de 40 anos, ele começou na profissão aos 12, quando passou a cuidar da casa de uma senhora no bairro do Parnamirim, Zona Norte do Recife. Conhecido por ser um dos porteiros mais antigos da localidade, o popular “Velha Guarda”, como é chamado pelos moradores do bairro, é um dos profissionais que dá destaque à categoria no Dia do Porteiro, celebrado nesta terça-feira (9).
“Sou conhecido por todo mundo aqui na região porque trabalho no Parnamirim desde pequeno. Comecei como zelador e depois assumi o posto de porteiro. Só no Edifício Príncipe de Bourbon, eu trabalho há 30 anos, que somados aos 13 anos que passei trabalhando na Rua Albino Meira, no mesmo bairro, totalizam mais de quatro décadas dessa profissão que tanto me orgulha”, lembra.
Natural do município de Puxinanã, na Região Metropolitana de Campina Grande, na Paraíba, Marcos precisou abdicar dos estudos para garantir aos pais melhores condições de vida. Ele relata que, por ser o irmão mais velho entre oito filhos, sentia a obrigação de mudar o rumo da família. Aos 12 anos deixou os parentes e mudou-se para o Recife, em busca de trabalho e de um futuro mais estruturado. E foi justamente como porteiro que ele encontrou a garantia de um emprego digno, com a estabilidade financeira de que precisava.
“Me realizei como porteiro porque, com esta profissão, conquistei muitos amigos, pelo histórico que tenho. Aqui no Edifício Príncipe de Bourbon, tenho amizades muito bonitas. Costumo dizer sempre que não tenho patrão, tenho amigos. Sem falar que foi como porteiro que eu consegui me casar com minha esposa, com quem estou junto há 34 anos, educar cinco filhos e formar minhas quatro filhas na faculdade. Construí duas casas e sempre fui muito feliz”, pontua Marcos.

Presidente do Sindicato dos Empregados em Condomínios de Pernambuco (Sieec-PE) e vereador do Recife, Rinaldo Júnior comenta que Marcos é um dos muitos trabalhadores do Estado que merecem maior visibilidade. Incluídos na categoria de profissionais essenciais durante a pandemia do novo coronavírus, Rinaldo aponta que as atividades desempenhadas pelos porteiros são fundamentais e se evidenciaram ainda mais neste período de isolamento social.
“Os trabalhadores de condomínio saem de casa para trabalhar incansavelmente todos os dias. É um trabalho muitas vezes invisível aos moradores dos prédios, porém, neste momento, está mais do que evidenciado que esta categoria foi e é fundamental para o bom funcionamento dos condomínios”, esclarece Rinaldo.

RESGUARDO SINDICAL – O porteiro Marcos Antônio, de acordo com o Siecc-PE, se soma aos quase 30 mil porteiros registrados na Região Metropolitana do Recife. Se ampliarmos os dados para todo o Estado, esse número sobe para 34 mil trabalhadores. Rinaldo explica que os dados só corroboram o peso da categoria, fortalecendo ainda mais o sindicato, que lutou pelo reconhecimento da data desta terça. “A gente enxergou que, no calendário oficial do Recife, não existia nenhum dia que fizesse alusão aos trabalhadores de condomínio. Por isso, sugerimos essa pauta, que foi aprovada por unanimidade, no plenário da Câmara Municipal. Assim, aprovamos o dia 9 de junho como Dia Municipal do Porteiro”.
Baseada nos avanços trabalhistas que o sindicato garante à categoria anualmente durante as convenções coletivas, a advogada do Sieec-PE, Marcelle Pereira, pontua a importância dos trabalhadores em condomínio estarem sindicalizados – é dessa maneira que o profissional pode contar com todo o resguardo da categoria como, por exemplo, apoio jurídico em caso de necessidade.

“O Sieec-PE é um sindicato pró-ativo e atento a todas as inovações legislativas que foram trazidas a partir das reformas trabalhista e previdenciária. O nosso intuito sempre foi salvaguardar os direitos de todos os trabalhadores, com o objetivo de preservar a manutenção de alguns direitos que foram suprimidos com a interferência dessas reformas. Um grande exemplo disso é o pagamentos dos feriados para quem trabalha na escala 12h/36h. A reforma trabalhista suprimiu esse direito, mas o sindicato, através de duras negociações coletivas, conseguiu manter o pagamento desse benefício”, conclui.