Guarita sem proteção é posto de trabalho à espera do pior
Porteiro não é enfeite do hall. É o primeiro corpo que o crime encontra. Fica sozinho de madrugada, na frente de vidro ou de grade aberta, com a chave do prédio e o nome da família no crachá. Quando a guarita não segura um tiro nem impede a invasão, o risco não é “do condomínio”. É da vida de quem trabalha ali — e da família que espera esse trabalhador voltar.
Os números da Secretaria de Defesa Social mostram o tamanho do recado. De janeiro a outubro de 2025, Pernambuco registrou 130 crimes violentos contra o patrimônio dentro de condomínios; 75 foram no Recife. No ano, o Estado contabilizou quatro homicídios em condomínio, três deles na capital. Rinaldo Junior, presidente do SIEEC, já disse em público o que a categoria vê todo dia: a maioria dos crimes pesados acontece onde não há porteiro na portaria, e sim portaria remota — investimento barato que deixa o prédio e o trabalhador descobertos.

O Recife conhece o preço disso de perto. Em fevereiro de 2024, no Edifício Monte Pascoal, em Boa Viagem, o porteiro José Washington de Santana, de 53 anos, foi morto a tiros na portaria. Dois disparos. Ele morreu no posto de trabalho. Em agosto de 2025, na mesma Zona Sul, câmera flagrou ladrão entrando na guarita e levando o celular do porteiro sobre a bancada — o trabalhador estava de costas, a entrada aberta. Em setembro de 2024, outro porteiro de Boa Viagem teve de entrar em luta corporal com o assaltante para impedir o roubo de uma bicicleta. Quem deveria só controlar o acesso virou linha de frente, sem equipamento de proteção no posto.
Esses casos não são “fatalidade”. São negligência de quem emprega e de quem legisla como se a portaria fosse móvel de recepção, não local de risco. Família de porteiro não pode enterrar pai e mãe porque o condomínio economizou na guarita e o poder público fingiu que segurança do trabalhador é assunto privado.
No Recife, essa omissão passou a ser combatida por lei de autoria de Rinaldo Junior que exige guarita blindada nos condomínios da cidade. Não é luxo de fachada. É barreira entre o trabalhador e o disparo, entre o invasor e o corpo de quem não escolheu ser herói. A lei existe porque o sindicato e o mandato recusaram o discurso de que “acontece”.
Agora a conta é nacional. Rinaldo Junior se candidata a deputado federal para levar a regra da portaria protegida para além do município: mais cidades, mais famílias que não precisam perder parente por economia de síndico e omissão de legislador. Em Brasília, a pauta é segurança do posto, valorização salarial e condição de trabalho digna para a categoria que segura o prédio enquanto a cidade dorme.
Isso não se faz sem o porteiro. A candidatura pede o apoio de cada um — no condomínio, no grupo do WhatsApp, na urna. Quem vive a madrugada na guarita sabe o que a lei precisa dizer. Rinaldo Junior já fez no Recife. Quer fazer valer onde a decisão nacional se toma.
Guarita blindada não devolve o José Washington. Impede que o próximo nome vire só matéria de polícia.
Rinaldo Junior, Candidato a deputado federal — 4013
