Clube das Pás: patrimônio vivo da história e da cultura do Recife

Clube das Pás: patrimônio vivo da história e da cultura do Recife

Clube das Pás: patrimônio vivo da história e da cultura do Recife

Poucos lugares conseguem reunir, em um mesmo espaço, memória, música, trabalho, carnaval, lazer e identidade popular como o Clube das Pás. Criado em 19 de março de 1888, poucos meses antes da Abolição, o clube nasceu entre trabalhadores ligados ao Porto do Recife e atravessou mais de um século acompanhando as transformações da cidade.

Mais do que uma agremiação carnavalesca, as Pás se tornaram parte da própria história cultural do Recife. Por seus salões passaram gerações de foliões, músicos e artistas, enquanto o clube permaneceu como espaço de encontro, dança, diversão e convivência popular.

Uma história que nasceu entre trabalhadores

A origem das Pás ajuda a entender sua importância. O clube foi criado por carvoeiros que trabalhavam no Porto do Recife, em um período marcado por profundas transformações sociais. Sua história está, portanto, ligada às camadas populares que ajudaram a construir a cidade.

Essa característica permanece presente na identidade da agremiação. As Pás atravessaram diferentes épocas sem perder sua relação com o povo, mantendo o frevo e outras manifestações musicais como instrumentos de convivência e expressão cultural.

Por isso, preservar o Clube das Pás significa também preservar uma parte da memória dos trabalhadores e das comunidades populares do Recife.

Cultura que continua viva

Patrimônio cultural não é apenas aquilo que pertence ao passado. É também aquilo que continua sendo vivido.

As Pás permanecem como espaço de música, dança, festas e encontros entre diferentes gerações. Sua importância está justamente nessa capacidade de manter uma tradição viva, adaptando-se ao tempo sem abandonar suas raízes.

O clube também representa uma dimensão importante da economia da cultura. Ao seu redor existe uma cadeia formada por músicos, artistas, produtores, trabalhadores de eventos, profissionais de serviços e tantos outros que encontram na atividade cultural uma fonte de trabalho e renda.

Clube das Pás lotado em dias de grandes shows

O reconhecimento como patrimônio

Reconhecer uma manifestação cultural como patrimônio imaterial significa reconhecer que seu valor ultrapassa o espaço físico onde ela acontece. Trata-se de preservar saberes, tradições, práticas, memórias e formas de expressão que fazem parte da identidade coletiva.

Foi nessa perspectiva que o vereador Rinaldo Junior apresentou, em 2023, o Projeto de Lei nº 48/2023, propondo o reconhecimento do Clube Carnavalesco Misto das Pás Douradas como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife. A proposta foi aprovada pela Comissão de Legislação e Justiça da Câmara.

A iniciativa se insere em uma trajetória de atuação de Rinaldo Junior relacionada à preservação da cultura popular. Em 2018, ele também foi autor do requerimento que levou à Câmara uma solenidade pelos 130 anos do Clube das Pás, destacando sua origem popular e sua importância histórica.

Memória de família e memória da cidade

A relação de Rinaldo Junior com as Pás também possui uma dimensão familiar. Ele conta que seu pai, Rinaldo Lima, presidiu o clube e que a ligação da família com a agremiação atravessa gerações. Segundo seu relato, seu tataravô esteve entre os fundadores, enquanto outras gerações trabalharam ligadas ao cais do Recife.

Essa história pessoal se mistura com uma memória muito maior: a de uma cidade construída por trabalhadores, artistas, foliões e comunidades que encontraram na cultura uma forma de celebrar a vida, criar vínculos e afirmar sua identidade.

Preservar as Pás é preservar o Recife

O Clube das Pás representa uma ideia simples e poderosa: uma cidade também se reconhece nas suas tradições.

Preservar o clube é preservar o frevo, a memória dos trabalhadores, o direito ao lazer, a cultura popular e um espaço de convivência que atravessou gerações.

As Pás não são apenas lembrança de um Recife que passou. São patrimônio vivo de um Recife que continua dançando, cantando e construindo sua própria história.