Jurema Sagrada e liberdade religiosa. Rinaldo Junior e o combate ao racismo estrutural no Recife

Jurema Sagrada e liberdade religiosa. Rinaldo Junior e o combate ao racismo estrutural no Recife

Jurema Sagrada e liberdade religiosa. Rinaldo Junior e o combate ao racismo estrutural no Recife

A Jurema Sagrada é religião de matriz afro-indígena, nascida neste chão pernambucano. Culto aos ancestrais, ciência de folhas, reza e resistência. É patrimônio vivo do povo do Recife e do Nordeste. Reconhecê-la não é favor. É cumprir a Constituição Federal, que garante a liberdade de crença e o exercício dos cultos religiosos (art. 5º, VI), e combater o racismo estrutural que há séculos tenta apagar as tradições de matriz africana e indígena.

Foi nesse espírito que o vereador Rinaldo Junior (PSB) apresentou e aprovou, em 2023, o Projeto de Lei Ordinária 128/2023, que institui o Dia Municipal do Juremeiro e da Juremeira. A data escolhida — 18 de setembro — marca a memória de Malunguinho, líder do Quilombo do Catucá, símbolo de resistência negra e indígena. O projeto nasceu da escuta das casas de Jurema, do diálogo com mestres e mestras, e foi aprovado na Câmara Municipal do Recife. Rinaldo deixou claro na tribuna: a Jurema é nossa. Não veio de fora. E o dia serve para combater o racismo religioso e dar visibilidade a quem ainda sofre preconceito por praticar sua fé.

Essa capacidade de interlocução — de ouvir a base, traduzir demanda em lei e fazer valer o direito dos cidadãos — é marca do mandato de Rinaldo Junior. Ele não se limita a denunciar. Constrói instrumentos legais que protegem a cultura, a liberdade religiosa e a dignidade de quem sempre foi marginalizado.

Infelizmente, o preconceito continua vivo e se manifesta na própria Casa do Povo. Recentemente, em debates sobre o reconhecimento da Jurema Sagrada como patrimônio cultural imaterial do Recife e sobre o Dia Municipal da Mestra Ritinha, um vereador usou a tribuna para atacar a religião, associá-la ao diabo e chamá-la de “porcaria”. Foi um caso claríssimo de racismo religioso. O projeto foi prejudicado. Mais uma vez, a intolerância tentou barrar o avanço.

É exatamente por isso que a lei aprovada por Rinaldo Junior ganha ainda mais força. Ela não é apenas uma data no calendário. É um marco de resistência. Um recado de que a Câmara do Recife, quando age com compromisso constitucional, reconhece a pluralidade religiosa e cultural da cidade. E que o racismo religioso — seja na rua, no terreiro ou na tribuna — não pode passar impune.

A luta de Rinaldo Junior pelo Dia Municipal do Juremeiro e da Juremeira mostra o caminho: interlocução com os povos de terreiro, respeito à Constituição, combate ao racismo estrutural e promoção da cultura brasileira. Porque liberdade religiosa não se negocia. E a Jurema Sagrada, como tantas outras tradições de resistência, merece reconhecimento, proteção e respeito.